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Uma vila de casas iguais


Imagina uma vila cheia de casas iguais. A escrita é isso, uma vila cheia de casas iguais. Aí logo pensamos: “Por que escrever se é tudo igual?”.


Mas a escrita não é a fachada das casas iguais, é o interior dessas casas. E o interior de cada casa é diferente. É a decoração que a gente escolhe para fazer parte da vida, é a disposição dos móveis, são os móveis em si, as cores das paredes, as luzes, as lâmpadas, as cortinas, os tapetes, os utensílios da cozinha, a cor das panelas, os lençóis, edredons, a penteadeira, o abajour, as plantas...


Enquanto gastamos energia preocupados com a fachada, não aprendemos sobre o mais valioso para a escrita, o interior da nossa casa. Se olhamos só a fachada, perdemos a chance de saber sobre nossos gostos, desgostos, manias, vícios, paixões, comoções. E é isso que mais tem valor para a escrita, que consigamos escrever as coisas de dentro primeiro. Isso não quer dizer que não podemos fantasiar, inventar, criar... Pelo contrário. Mas que ao saber sobre as coisas de dentro, nossas invenções também ganham proporções maiores, ganham originalidade, pois nascem desse lugar tão distinto: o interior da nossa casa.


Na hora de escrever, busque saber sobre o interior da sua casa. E se não lhe agrada como está, mude os móveis de lugar, pinte uma parede, troque os utensílios da cozinha, traga plantas novas para morar com você. Escreva sobre esse lugar único, sua casa.


Uma vila cheia de casas iguais também é uma vila cheia de casas diferentes.


*Um lembrete: as inscrições para a nova turma do curso de poesia estão abertas pelo meu site. O curso começa na próxima terça-feira, 21. Acesse o link aqui e reserve sua vaga para aprender mais sobre sua casa e a poesia que você pode fazer a partir dela.