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De ombros de fora


Um bom cronista precisa ter coragem para mostrar o corpo.

Pensei nisso outro dia quando reparei que nas minhas redes sociais eu não postava fotos do meu corpo. No meu perfil virtual tinha pouca pele. Daí fui lá, escolhi uma foto que eu mesmo bati quando acordei, mostrando ombros e perna, e postei.

O que isso tem a ver com a escrita? Tudo. Na escrita eu também sou assim, um pouco tímido, e preciso, constantemente, me empurrar para mostrar mais o meu corpo.

Desde criança sou uma pessoa tímida. Na adolescência, com ajuda terapêutica, lidei com a timidez e outras inseguranças. O autoconhecimento me ajudou a enxergar como eu me escondia, não me mostrava, não me jogava. Eu não usava todo o corpo.

Como escritor, o que eu quero é o contrário: que eu consiga, em cada texto, usar tudo que eu tenho. Minhas ideias, pensamentos, sentimentos, experiências, meu corpo, tudo é matéria-prima para a escrita e pode ser usado para escrever textos autorais. Escrever desse lugar, um lugar próprio, é o que podemos fazer de melhor quando escrevemos uma crônica. Sem se mostrar, sem usar o seu corpo, dificilmente você vai escrever um bom texto. Um texto demasiadamente vestido pode, facilmente, se parecer com um texto que qualquer pessoa poderia escrever.

Então se eu pudesse dar uma dica para você melhorar sua forma de escrever crônicas seria: mostre mais o seu corpo. Exiba-se. E deixe o leitor enxergar sua pele nos textos.

Vá devagar, comece pelos ombros. E não pare de se despir.