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Os Segredos de Pedro



O dia não terminou bem para Pedrinho. Ficou até tarde na rua, jogando bola com os amigos, mesmo com a ordem de sua mãe de voltar antes do anoitecer. Por isso, teve que ouvir a bronca e a sentença: sem videogame por um mês.

Entrou para o quarto chateado. Sua mãe não poderia ter sido mais cruel. Isso não ficaria barato. Para resolver o problema, Pedrinho arriscaria o sigilo dos seus mais secretos poderes.

Primeiro, pensou em usar a sua roupa de invisibilidade para sair despercebido de casa, mas se lembrou que ela estava sem pilha, e a essa hora, dificilmente encontraria um mercado aberto.

Foi para a segunda opção: sair voando pela janela do quarto usando a super cueca que ganhou do seu tio no último natal. Era só colocá-la por cima da roupa e voar. Mas o tempo estava meio fechado e Pedrinho achou meio arriscado. Sua mãe havia lhe alertado sobre a gripe.

A última opção era ligar pro seu amigo André e pedir emprestada a imbatível espada justiceira, pois, se ainda existia justiça no mundo, era por causa da espada. Porém, Pedro se lembrou que seu amigo dormia cedo, obedecia à risca os seus pais. Afinal, a espada era mesmo justa, inclusive com os pais de André.

Então resolveu deixar tudo como estava. Não seria prudente, até para o seu bem, revelar assim, de uma hora pra outra, todos os seus segredos.

Seus pais, que não eram mais crianças, poderiam não entender e acabariam enlouquecendo com tamanha surpresa. Seus heróis, que sempre fingiram ser de mentira, também não ficariam contentes com a conduta de Pedro.

Assim, deitou-se um pouco mais tranquilo. Seus pais não tinham mesmo culpa por terem crescido.

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