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Hoje é o dia “P”, de pequeno, enquanto o povo morre de “F”, de fome.

Hoje os tanques foram às ruas, mesmo não havendo guerra nem revolta nem gente jogando coquetel molotov nas vidraças do palácio nem crianças disputando bola no jardim da esplanada. Não há nada. Só o povo morrendo de fome.


Hoje os tanques foram às ruas mostrar como estão velhos os tanques. Não há força nem vigor, só um bocado de impotentes tentando exibir o que lhes restam. E o que lhes restam é um bando de tanques velhos fumacentos, fazedores de barulho, a passear pelas ruas, onde o povo morre de fome.


Hoje os tanques foram às ruas e os custos são sigilosos, mas dá para calcular com os olhos. E calcular os custos com os olhos sai muito mais caro, pois também são caras as lembranças, e a gente não vai esquecer desse passeio nesse dia pequeno, enquanto o povo morre de fome.


Hoje os tanques foram às ruas, às mesmas ruas onde o povo morre de fome. Não foram dar carona ao Padre Julio nem carinho aos que conhecem a mão pesada do abandono. Hoje os tanques foram às ruas entregar convite para uma festa que o povo não foi convidado.


Hoje os tanques foram às ruas, nesse dia “P”, de pequeno, enquanto o povo morre de “F”, de fome. Mas hoje é só um dia pequeno. O nosso alfabeto é maior.


E o povo com “F” de fome é um povo com “F” de força também.

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