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Diário sexual de um poeta

quando escrevo poesia, perguntam-me sobre o meu gênero e eu digo que é poesia. querem saber se eu sou homem ou mulher e eu digo que sim. “Que sim o quê?”, eles insistem e eu digo que sou poeta do gênero poesia, que põe dúvidas no pensamento, que acerta quando erra, que alitera e contradiz. sou agora poeta e no instante seguinte estou por um triz. falo das plantas, de suas raízes profundas e dos beija-flores no jardim, mas, no fim, só querem saber quem eu estou beijando. pois bem, aqui vai meu diário sexual: o meu gênero é poesia, transo o dia inteiro com a palavra, nunca repeti posição, acredito na superstição que é de cabeça pra baixo que a palavra engravida. meu gênero é livre, livros, rima, não rima, chora, sorri e grita, e se falo de amor no poema todo mundo acredita. não me levem tanto à sério, meu gênero é poesia, transita entre um ser que é poeta e uma calopsita.