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Café da manhã

  • Foto do escritor: Lucão
    Lucão
  • 18 de abr. de 2021
  • 2 min de leitura

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Nossas memórias não podem ficar confinadas em um dia, o tbt. São nossos pedaços valiosos espalhados pelo tempo. Não é?


Hoje fiquei rolando as fotos do Caminho. Cada foto me levou a uma história. Nesta aqui, eu havia acabado de passar por uma vila chamada Hospital de Órbigo.


Nela tinha uma ponte enorme, que atravessei sozinho. Nesse dia resolvi caminhar só, bem cedo.


Atravessei devagar, viajando pelo pensamento. O dia ainda estava nascendo. E quando terminei a travessia, enquanto caminhava rumo ao fim da cidade, alguém por trás de mim me gritou. Era Carlos, um amigo muito querido que fiz na jornada. Espanhol, já havia feito o caminho quase 10 vezes.


Ele estava tomando um café e me convidou para ficar lá um instante com ele, na cafeteria que ficava no fim da ponte. Eu disse que já havia tomado café, mas ele insistiu para que eu ficasse. Fiquei.


Depois me mostrou a vista do café. Era voltada para a ponte, uma imagem muito bonita, paisagística, enorme. E me pediu para aguardar um pouco mais por ali.


De repente o sol subiu do lado de lá, por trás da ponte, num nascer do sol ofuscante de tanto brilho. Durou 1 minuto e me deixou paralisado.


Quando a cena terminou, ele ficou rindo e disse algo como "eu sempre paro aqui para ver essa mesma cena".


Um tesouro que Carlos repartiu comigo.


Depois eu deixei ele tomando seu café e segui sozinho por essa estrada, da foto, anestesiado para caminhar melhor.


No fim do dia, eu e Carlos nos reencontramos em Astorga e fizemos o que costumávamos fazer no fim de um trecho de peregrinação: tomamos uma bira, descansamos e seguimos no outro dia rumo a Santiago.


E eu fiquei com essa vontade, de um dia voltar e poder dividir com alguém esse pedaço de tesouro que Carlos me deu.


Quem sabe.

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