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Ao Pé da Letra


Telefone toca, moça atende e do outro lado da linha alguém fala: – Boa tarde. – Obrigado! – (…)  quem fala? – Todos! – Todos o que? – Todos falam.  – Ahm??? – Você me perguntou quem fala, eu respondi que todos. Todos falam. Tirando os animais irracionais, é claro. – Ahm… Tá! eu gostaria de falar com o Márcio. – Que bom! O Seu Márcio é mesmo um cara bacana. Muita gente gostaria de falar com ele, sem dúvida. E você quer deixar isso registrado? como é? – Olha! Não estou entendendo muito isso daqui, mas o Márcio está? – Onde? – Onde o que?  – Você me perguntou se o Márcio está e eu te perguntei “onde?”.  – Aí, poxa!  Ele está aí?  – Está, sim senhor. – (…) Alô? – Opa!  – E o Márcio? – O que tem o Seu Márcio? – Você pode ir chamá-lo, por-fa-vor? – Depende. Você quer que eu o chame quando? – Se puder ir agora, nesse exato momento, eu agradeço. – Ah tá. Então liga mais tarde que agora eu não posso não. A cozinha está cheia de louça suja pra eu lavar e eu ainda tenho que arrumar o quarto dos meninos.  – Olha, sem querer ser chato, mas eu só vou pedir mais uma vez. Eu preciso falar com o Márcio! – Está bem!  – (…) Alô?  – Opa. – Você não foi chamar o Márcio??? – Olha, doutor. Não estou entendendo mais o senhor. Primeiro Você disse que só ia pedir mais uma vez. Agora, está aí falando de novo e de novo… – Céus! Moça, pode deixar. Esquece que eu liguei. Eu só queria… Eu gostaria só de… É que eu quereria… Hunf! Tchau!