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Agora é outono

ouvíamos menos quando fazia mais barulho. ouvíamos nada quando só tínhamos olhos pro absurdo. agora é outono. e eu sei que é outono pelo barulho que as palavras fazem ao tocar você. também não sabia o barulho que fazia um peito com saudade. contei doze batimentos por segundo na última lembrança. agora, treze, catorze, quinze… ouvi a caneta rodopiar pela mesa me chamando para dançar um poema. um poema para ouvir você. ouvir o que você está fazendo agora, sem mim. e descobri que a saudade tem o som da sua voz me chamando. e que esse poema tem a minha voz dizendo “me espera”. também descobri que esse poema é a falta que você faz em mim.

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